segunda-feira, 8 de junho de 2009

Qual é o melhor: Digital ou Analógico? (CD/MP3 ou Vinil)



Vinil VS CD/MP3



Os discos de goma-laca de 78 rotações, foram substituídos pelo LP. Depois o CD tomou o lugar de destaque do LP, pois teve ampla aceitação devido sua praticidade, seu tamanho reduzido e som livre de ruídos. A propaganda do CD previa o fim inevitável do LP, que é de manuseio difícil e delicado.

Certos entusiastas defendem a superioridade do vinil em relação às mídias digitais em geral (CD, DVD e outros). O principal argumento utilizado é o de que as gravações em meio digital cortam as freqüências sonoras mais altas e baixas, eliminando harmônicos, ecos e batidas graves e "naturalidade" e espacialidade do som. No entanto estas justificativas não são tecnicamente infundadas, visto que a faixa dinâmica e resposta do CD não supera em todos os quesitos as do vinil.

Os defensores do som digital argumentam que a eliminação do ruído (o grande problema do vinil) foi um grande avanço na fidelidade das gravações. Os problemas mais graves encontrados com o CD no início também foram aos poucos sendo solucionados. O sucessor do CD, o DVD-Audio, oferece fidelidade superior ao CD, apesar de sua baixa penetração no mercado a início.

Até hoje se fabricam LP e toca-discos, que ainda são objetos de relíquia e estima para audiófilos e entusiastas de música em geral.

Uma curiosidade: o disco de vinil não precisa de um aparelho de som propriamente para ser "tocado". Experimente colocar o disco rodando na vitrola, sem áudio, com as caixas de som desligadas. Você conseguirá ouvir o disco, pois seu princípio de funcionamento se baseia na vibração da agulha no sulco (espiralado, como um velodromo, tendendo ao infinito como uma linha reta) dentro das ranhuras, que nada mais são do que a representação freqüencial do áudio em questão.


Temos a mania de citar o LP em vinil como o exemplo de som analógico. No entanto teremos de citar também os gravadores profissionais etc... que possuem um som estupendo!

Tecnicamente o som analógico é superior, pois consegue traduzir com a máxima perfeição todo o espectro e, principalmente, sua complexidade.

A indústria do disco e dos aparelhos, está ganhando uma "nota" com os CDs e os aparelhos de baixa qualidade (ninguem percebe). Um CD custa entre 3 e 7 vezes o preço de um vinyl antigo e um aparelho de som hoje, custa 3 a 20 vezes o que realmente vale.

O que faz o CD ser inferior ao vinil?

O som é quase infinito na sua amplitude. A informação digitalizada em 0's e 1's não pode conter toda essa informação porque se o fizesse cada CD levaria meia dúzia de minutos de música. Assim sendo, o que é feita é uma AMOSTRAGEM digital, isto é, selecionam uma amplitude determinada (no caso do CD, 44 ou 48 kHz) e é só isso que vai para o CD. Todo o resto é cortado. Todo o resto.

Quando se ouve um bom vinil ouve-se TUDO o que a banda gravou. Tudo o que eles ou elas queriam que nós ouvissemos. Um mau vinil terá praticamente tudo também, simplesmente não com a clareza e o brilho original. Eis o som analógico.

Os seres humanos, até que se prove o contrário, são analógicos, não são 'digitais', e por isso reagem melhor ao som analógico. Se ouvir o mesmo álbum, nas mesmas condições e com material de igual qualidade, muito provavelmente preferirá ouvir em vinil. Testes 'cegos' (isto é, sem que os testados soubessem qual era o CD e qual o vinil) tiveram os resultados que se esperaria - a grande maioria das pessoas prefere o vinil. O som em vinil é quase sempre descrito como mais 'quente' e mais 'profundo'. O som digital, quando comparado com o analógico, é descrito usualmente como mais 'frio' e 'linear'.

Por fim, e apesar de ser uma razão talvez menor, há que referir o trabalho gráfico. Um LP é ENORME, e a capa do disco é GRANDE. As fotos dos ídolos são MAIORES e as letras não ficam em corpo 8!

Qual a diferença entre gravação Analógica e Digital?

Som analógico: Ondas sonoras são as oscilações do ar, que vão variando ao longo do tempo de acordo com as características dos sons. Um microfone as reconhece, por uma membrana, e cria uma corrente elétrica que varia de forma análoga (semelhante) a elas. Essa corrente é o sinal elétrico, analógico, do áudio. Esse sinal passa pela mesa e outros circuitos e entra num gravador. O cabeçote recebe o sinal elétrico e vai magnetizando a fita enquanto ela passa, de acordo com a voltagem do sinal de entrada. As partículas metálicas que cobrem a fita vão mudando de posição, de acordo com o maior ou menor magnetismo. Para tocar a fita, ocorre o inverso: quando ela passa diante do cabeçote, este reconhece o magnetismo das partículas a cada instante, recriando o sinal elétrico, que segue pelos circuitos até ser transformado novamente em som mecânico (vibrações do ar) pelo alto-falante.

Som digital: O gravador digital recebe o mesmo sinal elétrico, mas ele entra primeiro num conversor analógico-digital (AD). O conversor “redesenha” a onda sonora, medindo a variação da amplitude em milhares de pontos por segundo. Essa imensa lista de volumes é gravada na fita ou num disco magnético ou ótico como bytes de computador (dígitos). Para reproduzir o som, o cabeçote lê a fita ou o disco e envia esses dados a um conversor digital-analógico (DA) que liga os pontos e transforma de novo essas informações em sinal elétrico

Veja algumas opiniões de DJ's, sobre as vantagens e desvantagens
do CD, em relaçao ao bom e velho LP:

Por que um disco de vinil (LP) é melhor que um CD?

DJ Cascão
"Em primeiro lugar o vinil tem melhor qualidade que o cd. Segundo é muito mais fácil de se manusear sendo que o cd é digital. Particularmente eu prefiro tocar com vinil. Mas no momento não estou podendo (falta dinheiro) Se as casas noturnas aqui no Japão investissem um pouco em material resolveria o problema."


DJ Cobra
"não acho que o vinil seja melhor que um cd. é claro que para a maioria das pessoas o formato do cd é muito mais prático e conveniente que o 12" (vinil), afinal com o cd você pode ouvir as músicas e carrega-las para qualquer lugar sem muito esforço. Já para um dj o vinil é eterno! é um instrumento que não saiu de moda, pelo contrário. com o vinil o dj tem a oportunidade de mostrar suas habilidades e técnicas de mixagens com muito mais intensidade do que num cd. Para se tocar com vinil são necessárias as pick ups (vitrolas), aparelho de muita precisão e que possibilita infinitos recursos para o dj contagiar a multidão! A atenção do dj tem que ser maior quando estiver usando o vinil, pois o manuseio deste é manual e mecânico, ao contrário do cd, ou seja, você tem que estar sempre atento pois não dispõe de mecanismos que auxiliam na visualização do andamento da música. Para se melhor entender: o vinil está para o dj assim como the Beatles estão para a história do rock!"


DJ Fofão
"O vinil é melhor porque além de ter um grave melhor que o cd,não tem perigo da música pular igual o cd caso estiver riscado,o cara tem que pegar o vinil na mão,sentir a música mas a geração de hoje só querem saber de CDR que é lamentável, resumindo o cd é o seguinte:é a mesma coisa que vc dar o maior foda da sua vida e não ver a cara da pessoa,já no vinil você toca,passa a mão,sente e vê a cara dela. "


DJ Ken
"Bom, primeiro que a freqüência de graves de um vinil nem se compara com a de um CD, e vinil é vinil. Todo DJ adora tocar com um vinil. Aliás, um DJ de verdade sabe tocar com vinil. Hoje em dia tem muito DJs novos que não sabem nem como começar a mixar com um vinil. Eu também toco muito com CDs mas nunca abandonarei o vinil. "The real Dee Jay plays vinyl", já vi essa frase em algum lugar hahahaha... Acho que era em uma camiseta..."


DJ Piu Jack
"Para nós Dj`s, que aprendemos a "tocar" com vinil basicamente, é o que vira, pois o disco de vinil 12" (ou o 12 "inch"- polegadas) como chamamos, vem somente com um ou no máximo dois títulos de música, e na hora de procuramos uma música, só de olhar para a capa do vinil, nos vem toda a construção da música na cabeça, assim como qual versão que há no disco, e etc... Sem falar na praticidade do vinil ser muito mais rápido de se fazer o "acerto", pois você coloca o disco acha o ponto e ainda pode dar uma conferida na música... Tem o tal do "gingado da mão" que é o movimento de vai e vem que fazemos com o vinil, na hora de acertar o ponto, que é muito gostoso. Com o vinil, nós literalmente manipulamos a música... ao contrário do Cd, que tem que se apertar botões p/ se fazer algo..."


DJ Roger
"Em primeiro lugar, a questão da qualidade é indiscutível. O vinil (single para DJ) além da satisfação de tocar com as MKS, te dá mais segurança. O CD tem uma qualidade diferente que no meu ponto de vista ainda não se iguala ao de 12" que ainda é o mais apropriado para uma casa noturna!"


DJ Ronaldo Gasparian
"Essa é uma questão polêmica. O vinil não é melhor ou pior do que o CD, os dois têm suas vantagens e desvantagens. O importante é que o DJ se sinta confortável e seguro com o formato que ele resolveu trabalhar. Se mixar com vinil para você for mais fácil, vá em frente. Se o CD for mais acessível, não hesite. O importante no final é fazer a galera dançar, não é?"

Analógico X Digital


É indiscutível a superioridade do som de um vinil, já que é analógico, mas mesmo assim, muita informação original é perdida, por causa do material usado: o vinil. Não existe um material que guarde informações analógicas perfeitamente, pois todas elas são limitadas pelo tamanho da molécula do material. O vinil é um policarbonato excelente para isso, pois é fácil de se contruir cadeias dele, e tem um tamanho de molécula bem pequeno, além de fácil moldagem, resistência e durabilidade. Mas algumas informações, que só são reproduzidos pelos instrumentos originais, são perdidas por irregularidades do material. Já no CD, são informações digitais, com uma amostragem de 44,1 KHz, e uma resolução de 16 bits, ou seja, cada segundo de música de um CD, equivale a 44100 pedaços de informação de 16 bits. Cada pedaço desse equivale a um ponto, entre 65536 pontos possiveis, de amplitude. O conversor D/A, ou digital para analógico, faz uma interpolação desses dados, na geração do sinal elétrico analógico, o que permite uma
reconstrução do som. Ela é, claro, incompleta, mas relativamente boa.
O ouvido humano é capaz de perceber sons da faixa de 20 Hz a 20 KHz, e estudos demonstraram que a amostragem deveria ser um pouco superior ao dobro da faixa de percepção, no caso 20 KHz. Perceba que o telefone tem uma amostragem de 11,25 KHz, já que a voz humana, principal som transmitido em um telefone, fica na faixa de de 5 KHz.
Também é indiscutível a qualidade que tínhamos nos encartes e arte da capa dos álbuns em vinil.
Infelizmente, como todo meio de armazenamento analógico, o vinil sofre deteriorações com o tempo, além de sempre termos que limpar o vinil antes de tocar para não desgastar a agulha e não ter os cliques no som, causado por poeira e outras sujeiras no disco. Também tínhamos que trocar as agulhas de tempos em tempos, pois elas gastavam. Além disso, o viníl necessitava de um espaço enorme para guardarmos todos eles, eram grandes e pesados.
Já o CD revolucionou a indústria fonográfica por seu tamanho e capacidade. Quem imaginava que poderíamos ter 74 minutos de música em apenas um lado de um disco. Isso trazia mais possibilidades, como músicas maiores do que 23 minutos, que era limitado pelo tamanho do disco de vinil. Várias obras de música clássica eram interrompidas, necessitando a troca do lado do disco. Tudo isso, sem contar que o meio digital ótico de armazenamento é bem
mais duradouro. Veja que uma fita cassete ou VHS perde qualidade a cada regravação, um vinil gasta a cada utilização. O tempo é o pior inimigo deles.
Como você vê, existem vários prós e contras em cada tipo de armazenamento e o mais fácil sempre leva vantagem, mesmo que com menos qualidade. O que você espera que uma dona de casa, ou qualquer pessoa comum queira em um formato de áudio? Facilidade de utilização. Colocar na gaveta e
dar play, e para passar a musica, um simples apertar de botão. Já uma pessoa especializada quer qualidade, não importa como. Um DJ, ou um produtor musical querem qualidade de áudio. E hoje em dia, alguns vinis tem preço maior do que vários CD's, e existe uma dificuldade tremenda em se achar discos de vinil, pois várias gravadoras pararam de produzí-los, principalmente as grandes. Veja que mais uma vez o formato fácil ganha de um formato com mais qualidade. O MP3 é um formato de áudio compactado com perdas, tendo menos qualidade do que um CD, e, consequentenmente, muito menos
qualidade do que um vinil. Mas eu posso escutá-lo em qualquer lugar, a qualquer hora.



Coluna interessante na BBC Brasil.com:
Ivan Lessa: A volta do vinil

Ivan Lessa

"Era um ritual simples e gostoso. Você tirava o bichinho da capa, punha no prato da vitrola, pegava a pequena alavanca do braço (ou pick-up), virava para o lado que queria (78 ou 33 e 45) e, com cuidado, deixava pousar no sulco do disco.

Daí ficava curtindo o som gordo e amigo. E, às vezes tinha uns estalinhos ou chiado. Igualzinho à vida. E tome polca, com ou sem Adelaide Chiozzo. Ou valsa, samba, chorinho, fox-trot, Bach, Beethoven, Mozart.

Nessa desordem que chamam de progresso, se fué o vinil. Digitalizamo-nos. Viramos vítimas das “armas espertas” daqueles que manobram a tecnologia das indústrias.

Fomos invadidos como um Iraque e nos deram até o relativíssimo poder de decidir nossa constituição. Contanto, é lógico, que não fosse analógica e em vinil.

Não satisfeitos, tacaram o MP3. Nome que bem define o torpedo arrasador que nos acabou com a vida. Nem vou falar das capas dos LPs. Uma arte que também acabou.

Capinhas dos 45 rotações, agora chamados de singles, como corretores safados registrados com nome falso em motel, também dava para virar arte. Bastaria imaginação e engenho.

Tudo acabado, como cantava Dalva de Oliveira. Mas acabado mesmo?

Não é o que informa a BPI, ou seja, a Indústria Fonográfica Britânica (eles morrem de vergonha desse “fonográfica”). O vinil está voltando. Feito Madonna, para ficar numa comparação desagradável porém inteligível ao grande público.

Dizem os números que as vendas dos singles aumentaram em 87,3%. E mencionam o cidadão Paul Weller que vendeu 55,44% em CD e 38,56% em vinil. Que bom para o vinil. Tanto se me dá o tal de Weller.

Por fim, a HMV, a maior rede de lojas de discos do Reino Unido, vem se gabando de que nunca vendeu tanto vinil quanto neste ano, agora, neste século que nos põe para rodar na vitrola. Ou fonógrafo. Ou toca-discos. Ou aparelho de som. Qualquer coisa. Contanto que seja em vinil.

Um dia, ainda chegaremos a Artie Shaw, Charlie Parker, Sarah Vaughan, por aí. Tudo em vinil."

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/11/051130_ivanlessa.shtml



Dicas para conservar seu Vinil:


Guarde seus vinis em pé;

Lave-os uma vez por ano: lave com água e um pouco de detergente
depois seque-o e passe, sempre na direção
em que ele toca, uma solução de água e
álcool, metade água metade alcool; isso irá
tirar a estática do vinil proporcionando um
som limpo como foi gravado.

Esqueça os plásticos: Aquele plástico que envolve o vinil, se puder
substitua-os por feltro.

Tirar arranhado: Passe bombril no local arranhado, sempre na direção que
ele toca, bem de levinho, depois esfarele grafiti, o bombril
irá diminuir o arranhado e o grafitte refazer o caminho por
onde passa a agulha.


Dedicado a todos os audiófilos em geral, sobretudo aos entusiastas do bom e velho Vinil. :)

2 comentários:

paiva disse...

O digital será melhor quando os humanos assim o forem; como isso nunca aconteceu e está longe de acontecer, o registro e processamento analógico dos sinais de áudio - principalmente musicais - oferecem qualidade superior. A questão principal é que os meios analógicos de registro - sobretudo fitas magnéticas - requerem cuidados muito especiais para uma boa conservação, além de serem mais trabalhosos no manuseio. Mas a partir do corte do acetato e fabricação das matrizes dos discos (LPs, 45rpm ou 76/78rpm)o material gravado pode ser conservado por mais de um século, já se sabe. Em relação aos registros digitais não se sabe se daqui a 50 anos haverá equipamentos para ler um CD gravado na década de 1980 (informações da sonda pionner, registradas digitalmente na década de 1970 não foram recuperadas até hoje).
Pode haver qualidade - ou falta dela - em gravação, processamento ou equipamento (sejam eles analógicos ou digitais); o mais inteligente e racional é permitir que coexistam as tecnologias e que artistas, produtores, engenheiros e técnicos de som tenham à disposição o melhor do digital e do analógico. A música, os ouvintes, artistas e profissionais ganhariam com isso. Fazendo uma analogia com a vida: se você cria animais e todos eles são clones de um indivíduo, basta que um deles seja vitimado por uma doença contagiosa que todo o plantel será colocado em risco; porém se houver variabilidade genética, apenas os indivíduos susceptíveis adoecerão.
Mas ouvir um bom vinil, num bom equipamento continua sendo a melhor forma de se apreciar a música - perdendo só para o som ao vivo e para equipamentos multipista dos estúdios.

Michel santos disse...

Não manjo muito sobre a técnica de um e de outro (Analógico x Digital), mas eu percebo uma diferença que esta me incomodando. A música do vinil é mais lenta que a digital. Além de perceber sonoramente, a analógica tem 2 segundos a mais que a digital.

A pergunta que não quer calar. É normal isso ou minha vitrola esta com defeito?